lu: (Do not fuck with us)
Gente, esse será um post grande, que eu vou colocar num LJ cut. É sobre o que ocorreu na faculdade nas últimas duas semanas, então só leiam se realmente estiverem interessados. xD


Pois bem.

Cheguei na faculdade na segunda, e, como todo bom calouro, muito nervosa e ansiosa. Logo mandaram a gente pra dentro do B6, a maior sala do sexto andar do prédio do Frings (que é onde vivem essas pessoas surtadas que chamamos de "futuros advogados do Brasil").

Fomos apresentados à comissão de trote: de um lado do Ringue, Marinão, a veterana chefe da comissão, que bota medo em qualquer calouro que passar na sua frente (e que, by the way, era da mesma sala da Priscilla). Do outro lado, Kurt, a maior lenda do departamento de Direito da PUC, que está na faculdade já tem quase dez anos, e que será devidamente jubilado em 2007.2 (e que, by the way, era da mesma sala do Marcus Dantas, meu professor de Direito Romano). Junto dessas duas figuras, muita gente do segundo período querendo se vingar e algumas outras pessoas.

Mas foi logo no começo do trote que foi possível ver que esse seria um trote bem diferente daqueles que a gente está acostumado a ver nas universidades que tem por aí. Primeiro, eles falaram que só participava quem queria, assim, de boa, é só falar, e você pode sair quando você quiser. Depois, falaram que, quem se sentisse muito ofendido com alguma coisa ou não gostasse, poderia falar com eles e eles não fariam mais. Disseram também que o objetivo desse trote era integrar as pessoas, e se vangloriaram de serem o departamento mais integrado da PUC, o departamento que tem o trote mais bem organizado assim como aquele que criou esse novo tipo de trote, que eles resolveram apelidar de "recepção-solidária".

Logo depois, eles dizem as regras: vamos dividir vocês em equipes (verde, vermelho, amarelo e azul), e vai ter uma gincana. Quem fizer mais pontos, vai ser os que menos vão sofrer no dia do "trotão" (aquele dia em que pintam todo mundo e que depois tem a chopada). A gincana iria durar algum tempo (algo em torno de três semanas) e cada dia teria uma roupa que o grupo deveria vestir e uma coisa que deveriam trazer para doação.

Eles sairam da sala quando o Dantas apareceu para a aula de Direito Romano (que, aliás, foi linda de morrer) e voltaram no "intervalo" entre essa e a segunda aula pra divir as pessoas em times (eu fiquei com o vermelho), avisar que no dia seguinte era pra vir dos pés à cabeça da cor do time (dei graças a Deus que não era do amarelo) e que a doação eram roupas (cada roupa valia um número de pontos, e tal). Teve ainda um desfile, em que eles faziam umas perguntas pras calouras, do tipo: "você engole, cospe ou engasga?" e merdas desse tipo. Eu ri demais.

Tive aula de Teoria Política logo depois (que, aliás, é super viajada, como toda boa Ciência Social) e os veteranos voltaram pra levar-nos para beber no Pastel, um dos qiosques do lado de fora da PUC -- a cerveja por nossa conta, é claro. Foi super divertido. Saí de lá meio bêbada pro francês, e voltei pra casa uma caloura feliz.

No segundo dia, eu, toda de vermelho e pagando um micão, fui toda feliz pro sexto andar (de escada, porque calouro não usa elevador). Cheguei na sala e eles estavam sérios. Bem sérios. Aparentemente as mães de umas meninas que tinham respondido as perguntas no dia anterior não gostaram nada de ver suas filhas expostas e esse tipo de pergunta sexual, clamando que elas NEM SABIAM O QUE ERA SEXO ORAL. Pois é. A comissão ficou brava, e pediu pra a gente por favor falar com eles antes de falar com pais, e coisa e tal. Mas, bola pra frente.

As aulas desse dia foram Introdução à Ciência do Direito (que, daqui pra frente, chamarei de ICD) e O Homem e o Fenômeno Religioso, com uma mulher LOUCA, que é a cara da Britney nesse vídeo, mas muito divertida.

Eles mandaram a gente colocar as piores roupas que tínhamos doado (eu coloquei uma camisola horrenda e dancei é o tchan) e fazer alguma coisa. Foi muito divertido! Um menino colocou uma sunga roxa (e ele ainda era do amarelo --') e ficou fingindo que era o Super Homem. Meu Deus, Foi muito bom. Depois teve, é claro, o Pastel, e eu bebi além da conta. --' Fiquei um tempão conversando com a Marinão, que me reconheceu das aulas que eu ia com a Priscilla. Foi bem engraçado.

Quarta-feira foi um dia bem estúpido. Entramos na sala devidamente caracterizados (a idéia era ir vestido de algum personagem, e eu fui de Trinity -- com gel e tudo!) e os veteranos entram e pedem pra, por favor, tirarem as fantasias. Disseram que estavam tristes, e que não acreditaram quando souberam, através do chefe do Departamento de Direito, que as mães continuaram ligando, e que era uma pena, mas eles teriam que suspender o trote por tempo indeterminado (afinal, eles não podiam arriscar o cancelamento do trote pelo Departamento). A Marina estava arrasada -- e com razão, eles passaram uma boa parte das férias planejando isso -- e eu não podia acreditar que isso tinha que acontecer justo no meu ano. Eles disseram também que sabiam que a maioria das pessoas não merecia estar ouvindo aquilo, mas que não era responsabilidade deles e nem nossa.

Logo depois o Fábio Leite, professor de Constitucional e representando o Departamento, foi lá na sala e disse que o Departamento não recebeu, na proposta do trote, nenhuma menção à piadas sexuais e que, se aquilo ocorresse de novo, eles teriam que cancelar o trote e para irem falar diretamente com eles. Os veteranos voltaram pra avisar que no dia seguinte a doação seria de livros escolares e a roupa seria de super-herói. Assim que eles sairam da sala, os calouros começaram a se manifestar: a gente combinou de vir com a roupa no dia seguinte, e de tentar ao máximo que o trote voltasse.

No dia seguinte, tudo seguiu como o planejado. Cada pessoa veio com um super-herói que eles inventaram (eu era a super-lésbicaClubber. Eu tinha uma arma de ecstasy, e a canga que eu comprei na parada gay amarrada das costas -- estava hilário. E o pior é que funcionou: o trote voltou, e todos nós fomos muito felizes. Os veteranos zoaram horrores os super-heróis, e depois da aula fomos não para o Pastel, mas para o Pires, o que foi mega-divertido, afinal, eu nunca tinha ido ao Pires antes. xD

Sexta-feira foi dia de confusão. Os meninos vestidos de meninas e vice-versa, e ninguém da comissão à vista. Todo mundo pro B6 e... lá estavam os representantes do CAEL (o centro acadêmico de Direito da PUC, que vale lembrar, não tem nada a ver com o Departamento -- pra quem não sabe, eles uma espécie de grêmio em escala maior).

O trote estava cancelado, sem chance de volta, pelo CAEL, que queria impedir o Departamento de tomar uma medida drástica sobre o assunto -- a ponto de acabar com o trote de todos os períodos seguintes. A razão: a mãe da tal menina que havia reclamado estava ameaçando processar a PUC para pegar o dinheiro que ela havia gasto na primeira parcela -- detalhe: a garota já estava na UFRJ.

Muita revolta por nossa parte, é claro, mas não havia nada que se pudesse fazer. Até as chances da chopada acontecer eram mínimas, e as pessoas ficaram muito desmotivadas. Depois da aula ainda encontramos umas pessoas da comissão, e vimos que a bola estava com a gente pra tentar ganhar o que era nosso por direito: um belo banho de tinta.

Durante os dias dessa semana, ficamos combinando alguma forma de protesto, e chegamos à conclusão que a melhor e mais sutil seria ir para a palestra que o pessoal do Departamento ia dar de preto -- afinal, estavamos de luto. A palestra ia ser na quinta-feira, e tínhamos que avisar todos os calouros até lá, e combinar direitinho. Nesse mesmo dia recebemos duas notícias: o Departamente havia oficialmente suspendido qualquer atividade relacionada ao trote por tempo indeterminado e... IRIA TER CHOPADA. É claro, que nós conseguíssemos bancar. E lá foram a maioria dos calouros pra rua. Passaram tinta, escreveram UFRJ (a PUC não permite esse tipo de coisa porque uma menina já foi atropelada) e foram pra rua pedir dinheiro. Eu, sem tempo pra isso, acabei pegando o dinheiro na minha conta mesmo. A data final para a entrega era a quinta-feira mesmo.

(Eu ainda recebi uma outra notícia ótima nesse mesmo dia: vai ter um curso de Direito Romano no Centro, de graça, com o José Moreira Alves (USP), o Giordani (Cândido) e uns caras da Universidade di Roma! E o melhor ainda: acho que vai contar como crédito nas horas de atividade complementar que eu tenho que cumprir. Anyways, coisa de gente nerd que não tem mais o que fazer, logo, esse é só um parênteses)

Até que chega hoje, quinta-feira, e a tão esperada palestra acontece. Todo mundo de preto entrando no B6, foi muito emocionante. Marinão, Kurt, o pessoal do CAEL e do Departamento lá, todos olhando pra gente de um jeito diferente. Os caras do CAEL tentaram mostrar como o trote era uma coisa boa, e que estavam tristes por nós sermos negados disso por conta de um caso isolado -- pediram desculpas, disseram que nós somos muito bem-vindos, coisa e tal. O pessoal do Departamento gaguejando e dizendo que estão trabalhando em equipe para que o trote volte, e que precisam só tirar a PUC de risco de processo antes.

Depois que eles falaram tudo que tinham pra dizer sobre como seria a vida na faculdade, o Rodrigo -- da comissão e do CAEL -- pediu pra a gente ficar mais um pouco na sala. Ele estava muito empolgado, e já tinha tirado foto da sala com o celular e tudo mais. Ele vira pra gente, com uma cara de orgulho e diz:

"Nunca achei que preto fosse uma cor tão bonita".

E isso... isso foi lindo demais.

Agora é o CAEL tentar convencer o Departamento a voltar com o trote (apesar do CAEL, no primeiro momento, ter cancelado). Agora é negociar e ver no que dá.

Só espero que essa história acabe em cerveja.

Muita cerveja. xD

Post scriptum: to the English-speaking people, I'm sorry, guys, but I had to make this post in Portuguese. The University's here have a sort of "ritual" that is very common to us, and it would be impossible to explain to you what that is. The post is basically just about what happened to me, and some confusions that happened regarding this "ritual" and the Law Department at my Uni. If any of you really want to know about it, feel free to talk to me on MSN.


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You like bowling, don't you, Montag?

If you don't want a man unhappy politically, don't give him two sides to a question to worry him; give him one. Better yet, give him none. If the government is inefficient, topheavy, and tax-mad, better it be all those than that people worry over it. Peace, Montag. Give the people contests they win by remembering the words to more popular songs or the names of state capitals or how much corn Iowa grew last year. Cram them full of noncombustible data, chock them so damned full of 'facts' they feel stuffed, but absolutely 'brilliant' with information. Then they'll feel like they're thinking, they'll get a sense of motion without moving. And they'll be happy, because facts of that sort don't change. Don't give them any slippery stuff like philosophy or sociology to tie things up with. That way lies melancholy.

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